MANIFESTO

OKA,

ESSES DOIS OLHARES

APAIXONADOS

POR LARES VIVOS,

REAIS, IMPERFEITOS E,

POR ISSO, TÃO PERFEITOS.

VER BELEZA

NO VASO QUEBRADO,

NO CHÃO TRINCADO,

NA CAMA DESFEITA.

O CHUVEIRO ABERTO,

A XÍCARA DO CAFÉ

RECÉM COADO,

O SOFÁ QUE ERA

DO OUTRO LADO.

ISSO DE ETERNIZAR

A SOMBRA DA PALHA

QUE INVADE A SALA

E MATERIALIZAR

O VENTO QUE CANTA

NA FRESTA DA VENEZIANA.

DE SAIR DA

PRÓPRIA CASA,

DE GUARDAR A SAUDADE

NA MALA,

COM UMA CÂMERA

E MUITA CRENÇA

PEGAR ESTRADA.

EXPLORAR

NOVAS PAISAGENS,

NOVOS TONS,

NOVOS SOTAQUES.

PEDIR LICENÇA AO ENTRAR,

SE CONECTAR

COM O ANFITRIÃO,

OUVIR HISTÓRIAS,

CONTAR CAUSOS,

CHEGAR HÓSPEDE

E SAIR IRMÃO

Por: MIranda Estudio

Gabriela Matoso

BIO
Gabriela Matoso (1994) é uma artista de Salvador (BA) cuja prática investiga uma subjetividade em trânsito, atravessada por deslocamentos afetivos e geográficos. Operando entre o autobiográfico e o ficcional, seu trabalho explora a memória como um campo de reescritas. Com formação inicial em arquitetura e um encontro decisivo com a fotografia, sua trajetória foi marcada por uma crise pessoal que radicalizou sua prática, desdobrando-a em autorretratos, desenhos e escrita. Seu trabalho já foi exibido em importantes instituições nacionais e internacionais, como o Festival de Fotografia de Tiradentes e o Preus Museum (Noruega), e sua obra integra o acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).


Declaração de Artista
Minha prática artística parte de uma urgência existencial, um modo de agenciar a vida através da criação. Investigo como as subjetividades são moldadas na intersecção entre corpo, memória e território, usando a fotografia como um dispositivo para mediar a relação entre o ver e o ser. Partindo da premissa de que o íntimo é político, meu trabalho explora narrativas pessoais para acessar questões universais sobre fragilidade, tempo e afeto. A arte, para mim, é um exercício contínuo de negociar com a própria história e um campo de conhecimento em constante construção.

Bruno Ataíde

BIO
Bruno Ataíde (1985) é artista visual e fotógrafo nascido em Feira de Santana, Bahia. Sua obra é profundamente marcada pelas memórias do sertão, pelas viagens da infância e pelos deslocamentos por diferentes paisagens brasileiras, que alimentam um imaginário sensorial e poético. Interessado em espaços em transição e nas camadas invisíveis que contam histórias, utiliza a fotografia como meio de conexão com a natureza e de exploração de paisagens internas. Sua produção mescla meditação, sinestesia, espiritualidade e estados oníricos, criando imagens que transitam entre o real e o abstrato, sempre guiadas por um olhar curioso e sensível.

Declaração de Artista
Nasci em Feira de Santana. Convivi com avós, pais e cavalos. Vi água, terra e vento. Percebi sombras, cores e ecos. Encontrei na fotografia um modo de observar. Registro aquilo que sinto. Busco espaços, pessoas e passagens. Exército o olho como janela do não visto. Arquiteto formas e cenários. Sigo a ligação entre memória e pulsação. Gosto da quietude e do encontro. Fotógrafo para expandir um movimento interno. Busco na natureza uma rota de cura. Carrego a câmera como bússola. O presente se mistura ao passado e ao sonho. Vejo a vida como um fluxo. Observo e componho, sem certezas. Cada imagem é uma semente. Uso a fotografia como convite. Registro formas, luzes e frestas. Percorro construções e ruínas. Descubro o tempo em tijolos, ferrugem, pó. Carrego a câmera como bússola. Investigo espaços, gente e passagens. Mergulho nas memórias. Abro o presente em sonho. Encontro a vida no vento, na água, na pausa. Arquiteto imagens para escutar ecos e sentir o corpo. Não busco certezas. Aceito o desconhecido, sustento o olhar, acolho o instante. Cada fotografia é um passo. Cada pausa é um suspiro. Cada trabalho é um diálogo. Aqui, o real se confunde com o que ainda não existe. E sigo.